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“Existe um Governo Mundial formado pelos
dirigentes de todas as nações,
que trabalha pelo interesse de toda a humanidade”.
À medida que foi evoluindo e se desenvolvendo,
a humanidade foi se dividindo em uma infinidade de povos, reinos, principados,
países, estados, nações etc., cada qual dirigido
por governantes de tipos bem diferentes, desde as democracias mais avançadas
até as ditaduras mais duras, passando por monarquias absolutas
ou contrárias à tendência constitucional. Durante
séculos, essas ‘comunidades’ foram adversárias
em inúmeras guerras, selaram alianças de duração
variável, tentaram se dominar mutuamente, conheceram o apogeu e
o declínio etc. De modo geral, este foi por muito tempo o reino
do ‘cada um por si’, tendo por pano de fundo o desejo não
reprimido de conquistar, colonizar, anexar etc., a fim de alcançar
sempre mais poder e de exercer a hegemonia sobre os outros. Nesse aspecto,
podemos dizer que a história da humanidade tem sido construída
pela divisão e pela oposição, o que explica o fato
de ela ainda estar fracionada de forma tão singular. Atualmente,
existem cerca de 260 estados-nação espalhados por todo o
planeta.
Como sabem, inúmeras guerras dizimaram povos e mergulharam o mundo
no caos e na barbárie, com todos os sofrimentos atrelados a isso.
Num passado recente, as duas guerras mundiais - de 1914-1918 e de 1939-1945
- tiveram um efeito tão devastador sobre as pessoas e sobre os
bens, que geraram uma tomada de consciência quase generalizada quanto
à necessidade de agir no sentido de que tais horrores não
aconteçam mais. Isso se traduziu na criação da Organização
das Nações Unidas (ONU), cuja sede fica em Nova York, nos
Estados Unidos da América. Segundo sua Constituição
e Estatutos, tem por objetivo assegurar a manutenção da
paz e da segurança internacionais. Infelizmente, nos tempos atuais
conta apenas com 192 nações, o que explica, entre outras
coisas, porque enfrenta tantas dificuldades para realizar sua missão.
Lembremos que diversas instituições humanitárias
dependem dela, principalmente a UNESCO, cuja vocação principal
é trabalhar internacionalmente a serviço da educação
e da cultura.
Podemos, naturalmente perguntar: Por que a ONU não se constitui
de todas as nações que existem atualmente? A resposta mais
simples que se pode dar a esta pergunta é dizer que é porque
existem razões históricas, geográficas, políticas,
econômicas – além de outras - que impedem que isso
aconteça. Mas, mesmo sendo esse o caso, pode-se dizer também
que é principalmente porque a vontade de trabalhar a serviço
da paz é insuficiente nos planos nacional e internacional. Em outras
palavras, é porque o nacionalismo é ainda muito marcado
e o internacionalismo, no sentido humanista e filosófico do termo,
tem dificuldade para emergir na mente das pessoas. Para se convencer disso,
basta pensar nos inúmeros conflitos causados por grupos que defendem
uma ‘causa nacionalista’. Mas temos confiança no futuro,
pois um número cada vez maior de pessoas pelo mundo todo está
militando contra a guerra e, de modo geral, contra tudo o que causa dano
à dignidade e à integridade dos homens, sejam eles quem
forem.
No estado atual de sua evolução, o ser humano tem a tendência
a rejeitar indivíduos que não sejam de sua raça,
de sua etnia, de seu país, de sua cultura, de sua religião
etc. Essa tendência se deve ao fato de que, enquanto não
se atingir um nível de consciência suficientemente elevado,
o ser humano age e reage impulsionado pelos aspectos mais exclusivos de
seu ego, preocupando-se basicamente com seu próprio bem-estar e
com o bem-estar dos mais próximos. Considerando que cada povo é
formado pelo conjunto dos cidadãos que o compõem, existe
uma tendência decorrente a rejeitar os outros povos ou a viver em
detrimento deles. É por isso que toda nação tem uma
tendência a privilegiar seus interesses e a acreditar ou a se considerar
superior aos outros em um ou outro domínio. É aí
que está a fundamentação do nacionalismo no que existe
de mais radical. Contudo, tanto os indivíduos quanto os povos evoluem
com o tempo, e se constata que, gradativamente, eles vão sendo
levados a ter consideração pelos outros, a aceitarem as
diferenças e a se abrirem para o mundo.
Em virtude da globalização, todos os países se tornaram
interdependentes, de sorte que nenhum deles, por mais vasto e poderoso
que seja, por mais limitado e fraco que seja, consegue mais prosperar
sem se preocupar com o desenvolvimento dos outros. Em termos rosacruzes,
diríamos que seus respectivos carmas estão imbricados e
se confundem com um carma coletivo único, o que marca uma etapa
muito importante na evolução da humanidade. De qualquer
forma, o mundo se tornou um único país, o que torna necessário
estabelecer aos poucos um governo mundial. Naturalmente, o advento de
um governo como esse se inscreve numa perspectiva a bem longo prazo, pois
só poderá resultar de uma evolução gradativa
das consciências, tanto no nível dos governantes, quanto
dos governados. De fato, virá o dia em que a imensa maioria dos
homens compreenderá que eles formam uma única família
de almas e que sua missão principal é instaurar na Terra
uma autêntica fraternidade universal.
Como devem saber, a ONU tem um Conselho de Segurança que tem função
de órgão executivo. Atualmente, conta apenas com cinco membros
permanentes: os Estados Unidos, a Rússia, a França, o Reino
Unido e a China. Novamente, podemos apenas lamentar este estado de coisas,
pois revela um evidente desequilíbrio. O governo mundial que a
Utopia Rosacruz menciona em suas intenções será representativo
de todos os estados-nação do mundo, independentemente do
número de habitantes, extensão, poder econômico, antiguidade
etc., em outras palavras, será formado por todos os dirigentes,
e cada um deles terá os mesmos poderes, os mesmos direitos e os
mesmos deveres. Portanto, não se falará mais de Estados
Unidos da América, de Estados Unidos da Europa, de Estados Unidos
da África etc., mas de Estados Unidos do Mundo. No entanto, cada
estado desta União conservará sua autonomia na gestão
de suas questões políticas, econômicas, sociais...,
mas sempre dentro de um espírito de diálogo e cooperação
com os outros. Poderemos falar então de uma ‘mundocracia’
a serviço de toda a humanidade.
Quando as consciências e as mentes tiverem evoluído ao ponto
de tornar possível colocar em prática um governo mundial,
poder-se-á pensar que a grande maioria dos estados-nação
serão democracias plenas e esclarecidas: os políticos serão
filósofos inflamados de humanismo e de espiritualidade; que a sociedade
em geral repousará sobre um equilíbrio perfeito entre os
direitos e os deveres de cada um; as leis serão a expressão
de uma ética fundamentada no respeito por si mesmo, pelos outros
e pelo meio-ambiente; todas as instituições estarão
a serviço do bem comum; existirá um direito de ingerência
internacional, de tal sorte que nenhum estado poderá prejudicar
nenhum outro nem agir contra o bem-estar de seus próprios cidadãos.
De modo geral, o mundo conhecerá o ‘reino da unidade na diversidade’
e será palco da sociedade ideal. A humanidade como um todo terá
sucesso em sua mutação e estará bem direcionada para
a reintegração. Portanto, ela terá absorvido a idéia
de que sua presença na Terra não tem outra finalidade além
da de evoluir espiritualmente e de encarnar a consciência cósmica,
tanto no plano individual quanto no coletivo.”
Até a próxima Semana.
Que assim nos Ajude Deus!
Hélio de Moraes e Marques
Grande Mestre
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